agosto 28, 2013

Previsão 
Chove na Rua da República. A luz do dia esmaece, e as únicas estrelas aparentes são as que se destacam nas calçadas antigas, compostas de pequenas pedras negras, que diferem das rosadas que as entornam. Sempre que passo por esse caminho, as estrelas me convocam. Penso na calçada da fama que nunca vi, e admiro ainda mais a beleza das estrelas anônimas da República, que se desdobram como um tapete lúdico em meio ao trânsito convulso dos fins de tarde, em meio ao odor de fast-food dos bares, em meio aos mil passantes apressados com seus guarda-chuvas desviantes, em meio aos parapeitos vingativos que gotejam fuligem. Em noites como essa, as estrelas se revestem de um atmosfera risonha, livres da competição celeste. Astros infames, as estrelas da Rua da República guardam silenciosas os percursos cotidianos, espiam o sono dos homens desacomodados das ruas, cintilam a poética impensada dos lugares de passagem. Chove sobre as estrelas, que saúdam com a graça dos estados encantados, os olhares que se inclinam.