fevereiro 19, 2011

[Cartas a Théo]

Meu caro Théo,

Há algo que me atormenta e que eu quero lhe contar; talvez você já esteja a par, e eu não lhe conte nenhuma novidade. Eu queria lhe dizer que neste verão comecei a amar K. Mas quando me declarei, ela me respondeu que seu passado e seu futuro permaneciam inseparáveis para ela, e que jamais ela poderia corresponder aos meus sentimentos.

Tive então que resolver um terrível dilema: resignar-me a este ‘jamais, não, jamais’ ou considerar a coisa como não resolvida, guardar boas esperanças e não me resignar? Escolhi esta última hipótese.Enquanto isso continuo a trabalhar duro, e desde que a encontrei meu trabalho está bem mais fácil. [ ]

Acontece-lhe, às vezes, Théo, de ficar apaixonado? Eu gostaria que isto lhe acontecesse, pois, creia-me, as pequenas misérias também tem seu valor. Às vezes ficamos desolados, há momentos em que acreditamos estar no inferno, mas há ainda outras coisas, e melhores. Pois bem, old boy, fique também apaixonado e conte-me por sua vez, seja amável num caso como o meu e mostre-me simpatia.

Etten, setembro de 1881

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