Devora-me ou te decifro
Setembro 08, 2011
Abril 02, 2011
Que eu só quero te encontrar
Pra te dar de volta
Tudo o que eu sonhei
Espero. Há um porto de saída e um porto de entrada. O tempo não é preciso, é preciso tempo. Aportar no tempo que for preciso. Um tempo impreciso. Livre, assim.
Ouve o que o céu diz: é sempre um pouco tarde, mas sempre há tempo.
Daqui eu via a lua e pensava no tempo. Num tempo que é outro, num tempo que não é da ordem cronológica do tempo, ou da mecânica invenção do tempo, um tempo outro.
A cidade reflete muita luz. O céu não é escuro como no deserto; mas é deserto: as estrelas se ofuscam. Vejo daqui, bem à frente, o Cruzeiro do Sul, apontando pra ele. Apontando pro sul. Sempre há tempo.
Noto que os caminhos se cruzam, e que o porto parece ser sempre o mesmo e outro. Quero descobrir esse novo, desbravar esse porto.
Deixa que o olhar alcance o que está longe. Deixa o dia virar noite e a noite virar sol. Deixa o tempo, que não para, encenar um novo aceno pra chegada. A bagagem já é outra, e ela aponta pro sul. Ela aponta pro sul, e um porto avista.
Fevereiro 19, 2011
[Cartas a Théo]
Meu caro Théo,
Há algo que me atormenta e que eu quero lhe contar; talvez você já esteja a par, e eu não lhe conte nenhuma novidade. Eu queria lhe dizer que neste verão comecei a amar K. Mas quando me declarei, ela me respondeu que seu passado e seu futuro permaneciam inseparáveis para ela, e que jamais ela poderia corresponder aos meus sentimentos.
Tive então que resolver um terrível dilema: resignar-me a este ‘jamais, não, jamais’ ou considerar a coisa como não resolvida, guardar boas esperanças e não me resignar? Escolhi esta última hipótese.Enquanto isso continuo a trabalhar duro, e desde que a encontrei meu trabalho está bem mais fácil. [ ]
Acontece-lhe, às vezes, Théo, de ficar apaixonado? Eu gostaria que isto lhe acontecesse, pois, creia-me, as pequenas misérias também tem seu valor. Às vezes ficamos desolados, há momentos em que acreditamos estar no inferno, mas há ainda outras coisas, e melhores. Pois bem, old boy, fique também apaixonado e conte-me por sua vez, seja amável num caso como o meu e mostre-me simpatia.
Etten, setembro de 1881
Fevereiro 17, 2011
Dezembro 12, 2010
Um sopro
Por nós.
Talvez todos os dragões de nossa vida sejam princesas, que só esperam nos ver um dia belos e corajosos.
Rainer Maria Rilke
Tirou do bolso um livro sagrado, e me deu. – Aprenda a respirar, é um exercício e um segredo, disse. Li as pequenas letras douradas do título e me incomodei um pouco com a verdade. Guardei-o na bolsa e sorri. – Vai te fazer bem, disse. Não respondi. Mas pensei que se houvesse algo que naquele instante pudesse me fazer bem, certamente não seria a verdade.
Silenciamos por um tempo no caminho de ida, e no caminho de volta, a volta parecia não ter fim. Tudo que eu podia pensar era que as horas feitas de finuras e afins findavam. Tentei dissipar o pensamento em olhares voláteis, observando sem deter-me nos detalhes a paisagem que se abria num horizonte de acasos, como aquele que nos fizera cúmplices. Mas não existem acasos, e eu bem sabia. Voltei ao pensamento com certo desconcerto, certa de que a razão é insuficiente e de que a vida é mais misteriosa e fatal do que qualquer oráculo jamais poderia prever.
No limite do razoável nos contemplamos cansados, fatigados de silêncio e fim. Eu lamentava nosso encontro em descomeço, no avesso do que é vida e se esvai. E então partimos, por entre escolhas e abismos, partidos de nós, divididos e doídos e um pouco fracos.
Ali eu pressentia a inconstância no passar dos dias, as contrações e os contra-sensos de um corpo que desaprende o movimento de expansão, e apenas contrai. Eu temia não mais vibrar, temia perder o contorno e dissipar na ausência de gestos qualquer possibilidade de recomeço, de re-contexto. Numa fração de segundos, enquanto eu assuntava sensações e pensares, nos despedimos; ambos sabendo que olhar pra trás seria o adiante, até que o mundo desse conta de girar um pouco e a gravidade nos devolvesse ao centro.
Do que faltava, escolhi o caminho mais longo, que faria em passos curtos e pensando no que acontecia, buscando encontrar um sentido no meio do que concretamente parecia ser o caos. Pincei todos os momentos e memórias, da infância ao inferno. Naquela manhã ao acordar, com os raios de sol ainda tímidos e mansos a perpassar as frestas da persiana entreaberta, delineei um esforço quase sem forças de levantar-me. Ao estender o braço em direção ao relógio derrubei sem querer a escultura. Mais cacos, balbuciei sonolenta. Era um dragão, um pequeno dragão que vivia comigo. Tinha nos pés garras, como uma águia, e também asas. Inclinei-me à beira da cama e vi que a cauda havia quebrado. Não me soava um bom presságio, ouvi dizer que dragões sem cauda simbolizam perdas. Mas como eu de fato estava perdida, me ri do universo e levantei, ia encontrá-lo.
Coincidências não existem, e eu bem sei. Dragões simbolizam a força primitiva e ancestral, estão ligados à criação do mundo. Um dragão tanto pode ajudar quanto destruir, proteger ou corroer, são ambíguos os dragões. São como gente, não? Talvez mais livres.
À medida que me aproximava do porto e a tarde caía, a bruma ia invadindo as ruas, engolindo o horizonte. Olha o sopro, pensei; ao mesmo tempo em que inspirava lentamente o ar e aspirava o mistério. O sopro, eu quase ouvia. Havia lido em uma antiga lenda chinesa que quando a bruma cai, é porque os dragões estão soprando. Eles chegam, quando a bruma desce. Eu andava reto, mas pensava em círculos, certa de que não era acaso. O dragão chegava e aniquilava a própria cauda, indicando o fim e o começo de um novo ciclo, como a serpente.
Não sacrifiquemos o respiro, a verdade é um problema. Deixa-me construir a casa com telhado reclinado, pra que o dragão que voa longe, descanse.
Novembro 27, 2010
Nietzsche
Enquanto o sinal não fechava ela vagueava de um passante a outro, a procura de um qualquer otário. Carne fresca no pedaço, clichê e sedução. Prato feito pra um perfeito idiota, que não eu. Eu sou um deles, mas não perfeito. Àquelas alturas o que eu queria era ser um pouco menos duro, e não o contrário. Menos duro, saca? Lamentava o último romance, os planos desfeitos, os ares errôneos. O dia em que me fui, de mim e dela. Não dela, subterrânea moça branca de cabelos vermelhos e experiência estreita. Mas dela, que se fora com seu silêncio e o meu. Porque o que fica, sabe, é um pouco mais que isso, que os silêncios que se vão. Eu lamentava, e queria ser um pouco menos duro. Queria encontrá-la e dizer, num sopro fundo de afeto, que me encontrei, que me encontrara enfim. E que queria ser um pouco menos duro, mais espontâneo e disposto. Observei a moça que sorria, passando as mãos no peito do passante que parava, próximo. Me aproximei e disse: - Quanto? A dois, ou três? Perguntou; enquanto olhava sem deixar passar o cara ao lado. - Três, eu disse. Topa? O passante me olhou irrequieto e apressado, com certo desprezo. - Não, não, disse, com voz firme e olhar seguro, e seguiu seu caminho.
Ficamos eu e a moça de figurino suspeito, combinando um outro arranjo pra que eu me esquecesse, dela. Sim, porque sozinho é muita bad trip, saca? Inútil procurar abrigo em mim. Ao mesmo tempo eu pensava o que fazia naquele arranjo estúpido. E eu não sabia. Ela sorria e me tocava, eu esboçava algum anseio. - Vamos? disse. Olhei pros lados, os veículos voavam e os passantes pareciam ter destinos. Eu estava exposto e tenso.
Desci o Bom Fim com a moça ao lado, em passos largos e nervosos, na direção de casa. Alugava um quartinho 3x3, suficiente pra ocasião. Ao chegar à esquina reconheci, ao longe, ela. Apitava o interfone e olhava as janelas ao alto. Usava um vestido roxo e sandálias baixas, vermelhas. Vermelho, pensei. Diminuí o passo sem saber se seguia ou voltava, se acenava, gritava, qualquer sinal, eu pensava, apenas um. Ou dar a volta. A moça de pele fake e skin so tasted cantava freneticamente uma canção qualquer ao meu lado, parecia desatenta e querendo chamar atenção. Parei. Eu não estava disposto. Ela guardou os livros na bolsa, olhou mais uma vez pro alto e fez sinal pro táxi. Foi-se.
Novembro 16, 2010
Uma carta, uns cortes.
Para o Sal, um brinde.
If I were a good man, I’d understand the spaces between friends.
Cai uma chuva densa e rouca, entre trovões e travas. Aquelas, de que te falava outrora, e que exorcizo aos fiapos nessa escrita. Fico pensando se alguém mais terá pensado se, ao publicar uma carta num blog ela terá deixado de ser uma carta. Será? Não uma carta que já foi escrita antes e enviada, e que depois de um longo tempo e um pouco de prestígio sai dos baús do anonimato e vira evento. Mas isso não tem importância. É só uma questão cruzada, preocupação com o que seja uma carta de verdade. Verdade, verdade... discussão que nunca acaba, não é verdade? Sim, sim. Tu dirias não ter sido claro o suficiente e eu diria... eu diria o mesmo. Porque é mais simples compartilhar melancolias do que acompanhar raciocínios, não é verdade? Mas afinal, qual era mesmo o assunto dessa carta? Ah, sim, na verdade não importava o assunto, mas o ato. Já que o assunto não tem importância, vou falar do desimportante. Porque eu gosto do desimportante, de verdade. Ah, tantos anos e nenhuma análise. Tanta vida, e tantos cortes. O que tio Freud diria de um sonho que se sonha só, meu caro? Viu como eu flutuo só na superfície? Só, na superfície. Quando chegarem as gentes, dear, diga que vivo meu avesso. Essa frase não é minha, mas isso também não tem importância. Aliás, nada aqui tem importância. Só fraseio com a linguagem que me ausenta do que possa decifrar. E gosto.
PS: teu conselho virou bilhete.
Outubro 27, 2010
E é portanto para agradecer que lhe escrevo. [ ]
O que para os passaros é a muda, a época em que trocam de plumagem, a adversidade ou o infortúnio, os tempos difíceis, são para nós, seres humanos. Podemos permanecer neste tempo de muda, podemos também deixá-lo como que renovados, mas de qualquer forma isto não se faz em público, é pouco divertido, e por isto convém eclipsar-se. Pois seja. [ ]
Preciso agora lhe aborrecer com algumas coisas abstratas, no entanto gostaria muito que você as escutasse com paciência. Sou um homem de paixões, capaz de, e sujeito a fazer coisas mais ou menos insensatas, das quais às vezes me arrependo mais ou menos. [ ]
Agora, sendo assim, o que se deve fazer, devo considerar-me como um homem perigoso e incapaz de qualquer coisa? Penso que não. Mas trata-se de por todos os meios tirar destas paixões o melhor partido. Por exemplo, para falar de uma paixão entre outras, tenho uma paixão mais ou menos irresistível pelos livros e preciso me instruir continuamente, estudar, se você quiser, assim como preciso comer meu pão. Você poderá entender isto. [ ]
Eis como eu vejo a coisa: continuar, continuar, isso é que é necessário. Mas qual é o seu objetivo definitivo?, você perguntará. Este objetivo torna-se mais definido, desenhar-se-á lenta e seguramente como o croquis que se torna esboço e o esboço que se torna quadro, a medida que se trabalhe mais seriamente, que se aprofunde mais a ideia, no início vaga, o primeiro pensamento fugidio e passageiro, a menos que o fixemos. [ ]
O que você quer? O que se passa no íntimo revela-se exteriormente? Fulano tem uma grande chama queimando em sua alma, e ninguém jamais vem nela se esquentar, e os transeuntes só percebem um pouquinho de fumaça no alto da chaminé e seguem então seu caminho. E agora, o que fazer? Sustentar esta chama interior, ter substância em si mesmo, esperar pacientemente, e no entanto com quanta impaciência, esperar, dizia, a hora em que alguém desejará aproximar-se - e ficar? [ ]
Agora, no momento, ao que parece todos os meus negócios vão mal, e isto já está assim há um tempo bastante considerável, e assim pode ficar durante um futuro mais ou menos longo. Mas pode ser que, depois que tudo pareça ter dado errado, de repente tudo comece a melhorar. Não conto com isto, talvez isto nunca aconteça, mas no caso de acontecer alguma mudança para melhor, computaria isso como um ganho, ficaria contente, e diria: "Enfim, afinal, havia alguma coisa". [ ]
Um pássaro na gaiola sabe muito bem que existe algo em que ele pode ser bom, sente muito bem que há algo a fazer, mas não pode fazê-lo. O que será? Ele não se lembra muito bem. Tem então vagas lembranças e diz para si mesmo: "Os outros fazem seus ninhos, tem seus filhotes e criam a ninhada", e então bate com a cabeça nas grades da gaiola. E a gaiola continua ali, e o pássaro fica louco de dor. [ ]
Nem sempre sabemos dizer o que é que nos encerra, o que é que nos cerca, o que é que parece nos enterrar, mas no entanto sentimos não sei que barras, que grades, que muros. Será isto tudo imaginação, fantasia? Não creio; e então perguntamos: meu Deus, será por muito tempo, será para sempre, será para a eternidade? Você sabe o que faz desaparecer a prisão.
Do seu,
VINCENT
Outubro 18, 2010
Nos poços
Caio Fernando Abreu
O ovo apunhalado
Outubro 14, 2010
Ao som de Otto,
6 minutos
Com descoberta ele disse, um dia, que a saudade é nossa, pois nenhuma outra língua traduz 'sentir falta de' com apenas uma palavra. Mas a saudade não cabe, nem em três palavras, nem em uma. Saudade é desnome, nome de ausência. Só é boa pro poeta, que verseja. não sei ser poeta
Não tenho escrito porque tenho pensado demais na escrita. No momento em que me sento a escrever a sensação se perde e eu raciocino, e morro. Trago a cesta cheia de uma colheita fértil, mas é como se eu quisesse nascer e não conseguisse. Tomo consciência de todas as tintas sobre a mesa e da dificuldade de terminar o que começo. Sou engolida pelo instante que não colore nem fraseia, mas congela, e é porque eu tenho insônia que recorto esses retratos, num jogo exausto de adivinhação e espanto. Me basta ler, reler, ruir. Tenho adiante um silêncio cruzado, algumas questões sem resposta e todos os caminhos para dentro, ao que não sei seguir. Na esquina eu vejo ruínas, meu olhar alcança.
Setembro 29, 2010
Sonhei que todos os livros foram roubados.
Tentei ler nas mãos linhas apagadas e nos olhos a palavra que se cala no lugar que não alcanço. A terra não tem sido leve.
Setembro 02, 2010
Caio F.
Escorpião
Para Nietzsche,
com astúcia e vingança.
Penso nos movimentos que se realizam, nos deslizes que balançam pequenos delitos. Pequenos surtos. Ou grandes surtos. Quem sabe.
Penso nos desvãos aos quais dou vez, nos espelhos que desforram o que sei de mim. e atravesso
Dissestes não haver coincidências, com um sorriso leve e firme e uma estranha clareza nos olhos. Respondi desconexa que ninguém jamais escrevera prólogos tão belos, tinha entre as mãos o mais altivo e zombeteiro dos filósofos, a rir de si.
Literatura armada, eu quero. Um arsenal de desvarios alegres, coisas mágicas, todos os santos. Sto Rambo, Sto Bowie, Sta Woolf, Sta Frida, Nossa Sra do Eterno Retorno... Todos os santos. E um pouco de prestígio.
Quem sabe é pouca literatura e vinho barato. Um bilhete datado e uma caligrafia que poderia ser bêbada. Guardo papéis soltos e pequenas esculturas. grandes esculturas. todas, as esculturas.
Deixa-me algo para que quando eu acorde te tenha à vista do olhar ou das mãos. O inverno se vai, está se indo, talvez já tenha ido. Leva tempo? Leva tempo.
Agosto 30, 2010
Agosto 08, 2010
Clarice Lispector
Setembro de 1967
A descoberta do mundo
Agosto 04, 2010
Fui até o bar e observei os rostos tão estranhos e brancos e ali fiquei, por uns minutos. Hesitei em pedir uma dose, suspenso a observar os rostos e os corpos e o figurino cretino do Fred Mercury na tela. Acendi um cigarro entre o som alto e impressões de riso baixo, todos pareciam tão indiferentes mesmo quando falavam entre si e riam de coisas que eu não sabia. Muitos pediam passagem, eu estava ao canto cantarolando baby it's all right, honey it's all right entre o espelho o bar a janela e a tela, de modo que podia ficar onde estava e tudo acontecer. Então fumei a pensar que seria bom conhecer alguém naquela noite ali ali mesmo a esmo, ou não tão a esmo assim e foi aí que de repente sem ao menos ter tido tempo de pegar aquela dose que apareces súbito, como uma bomba.
Tropeçou nos meus sapatos e me estendeu a mão pedindo fogo. Lembro que fitei teus lábios tão mais pálidos que os demais mas tinhas maçãs um pouco mais rosadas e olhos tão terrivelmente castanhos que se confundiam com o abrigo marrom que envolvia o pescoço. Então naquele instante tudo parecia fazer sentido embora eu já não soubesse bem ao certo se algo deveria fazer sentido, ou não. A verdade é que eu permaneci calado e suspenso, algo como uma língua estranha que eu nunca houvesse ouvido me deixava tonto e aquela música que tocava agora e você parado à minha frente me olhando fundo com um cigarro que levava aos lábios com um quê de demasiada simpatia. E foi aí que se aproximou do meu ouvido e disse fale-me de você com uma voz arranhada e quase erótica e então eu me senti completamente frouxo e mudo e tolo e respondi com uma voz baixa e quase rouca que eu estava ali somente porque não poderia estar em outro lugar. Não agora não naquela hora não naquele instante. E tudo mais que pensei foi pouco ou sobrou e eu permaneci calado por alguns segundos, lisérgico. Então alguém te chama e estende a mão e vocês se cumprimentam com um sorriso aberto e calmo e ali eu vi seus dentes brancos e perfeitamente dispostos e senti vertigem e um desejo de desprender aquela manta e tatear tua nuca e
Tentei acreditar que tudo aquilo não poderia estar acontecendo e saí ,como quem foge. Parei ao lado da porta e acendi um cigarro deixando que a parede de tijolos expostos segurasse meu corpo trêmulo de frio e fuga e medo e desejo. Mas pensei que não poderia sair assim sem vê-lo novamente sem ao menos saber como se chama sem ao menos
Entrei. Procurei-o discretamente no meio da nuvem de fumaça e pele e me senti tonto quando vi que você também me via e me via o vendo e eu sabia que não saberia o que fazer se você viesse agora interrompendo qualquer coisa inacabada em mim qualquer pensamento em desconcerto e então novamente a vertigem e novamente o medo e novamente tudo aquilo cada vez mais perto. E foi então que você veio.





